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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Ma como?

Id: - Se você tivesse um desejo, o que pediria?

Ego: - Paz mundial.

Id: - Tá, tá bom, é sim viu. Sério, um pedido, o que seria?

Ego: - Tô falando, paz mundial. Não tô falando daquela paz medíocre ao qual as misses se referem quando questionadas, estou falando de uma paz em todos os aspectos. Não haver mais guerras, não haver mais intolerâncias de nenhum tipo, haver uma preservação dos direitos civis, tudo isso. Ou seja, o respeito a vida acima de tudo e a preservação dos seus direitos.

Id: - Hmmm, tô sentindo uma pitada de problemas com auto aceitação. Ego, você precisa se valorizar mais, e não ficar perseguindo a paz mundial só pra se aceitar. Você pouco se importa com as outras pessoas, se elas não te julgassem, ou te repreendessem quando anda por aí igual um louco, você estaria feliz e daria de ombros pra paz mundial. Pensa nisso.

Ego: - Não. Hmmm. Pera, acho que...

Superego: - Paro a palhaçada, os dois deveriam estar dormindo AGORA. Corta já esse papinho idiota e cama, seus porra!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

My teeth dazzle like an igloo wall

E eu procuro o equilíbrio entre o esteticamente belo e a emoção
busco na audácia da imperfeição.

i will gain an extra life

segunda-feira, 7 de junho de 2010

5 quilometros em 100 metros

Nunca tive, nunca vou ter e adoro não ter controle sobre o meu carro.

Pareceria algo completamente estranho a primeira vista, mas é real. Meu carro tem sentimentos. Não desses que um individuo tem por si próprio, mas daqueles em que um imputa ao outro. Eu sei que então os sentimentos não seriam dele, poderia ainda afirmar que são meus, e sou eu quem os adiciona a ele. Mas eu estaria mentindo.

Meu carro parece perceber as coisas antes de mim, mesmo antes de eu me dar conta de algo meu carro avisa. Apresenta defeitos simples, defeitos esses que me incomodam, digo mais, defeitos esses que me irritam, me colocam em um estado pleno de ira no princípio, mas a medida que sou obrigado a conviver com eles, tudo começa a fazer algum sentido.

Um leitor de CD que só funciona quando estou de bom humor, ou ainda mais, janelas que emperram quando está na hora de deixar algo entrar, e hodometros que travam quando preciso me dar mais tempo pra entender o mundo. Meu mundo.

Tudo começou a um ano e meio, quando meu rádio tinha medo que eu ficasse deprimido, começou a se recusar a tocar CDs que não fossem originais, era um traço da minha personalidade que o rádio estava adquirindo? Só poderia estar louco. Mas era de fato isso, meu rádio a partir de então só toca álbuns originais. Meu respeito e valor a arte. Até aí tudo bem, simpatizei com ele.

Depois, minha janela travou exatamente no dia em que me apaixonara pela segunda vez. Fui obrigado a entender que não precisava ter medo de rodar por aí com ela semi aberta, que poderia deixar novos ares entrarem. Estava começando a gostar disso quando tudo desandou, a janela caiu de repente e não vedava mais, me deixei levar rápido demais. Fui obrigado a mandar consertar antes que alguma coisa mais séria acontecesse.

A janela ainda viria a "quebrar" várias vezes, sem o mínimo efeito ou eu ignorava, ou mandava consertar. Não era hora.

Agora era vez do leitor de CDs desandar de vez, só pra me mostrar que nem dentro do meu próprio carro eu posso garantir o controle de tudo. Por mais trancos que eu desse, mais jeitinhos inventasse, um dia ele tocava na hora, em outros demorava mais de 40 minutos pra me deixar ouvir o que queria. Quando não fazia birra de vez e me obrigava a escutar estações de rádio.

Foi então que meu velocímetro parou pela primeira vez, no meio da estrada. Marcava 0km mesmo eu estando a 120km por hora e novamente não adiantava eu brigar, enfezar, gritar ou esmurrar o volante. O marcador indicava o número que ele bem queria. Era hora de entender que eu tinha que desacelerar, por mais que eu amasse a vida em velocidade, meu carro estava mandando eu diminuir o ritmo. Isso se repetiu várias vezes nos meses seguintes, tinham dias ou mesmo semanas que ele funcionava normalmente, mas em outros nem sequer mexia o ponteiro.

Por último foi a vez do hodômetro, agora era ele que parava de marcar os quilômetros que rodávamos, fazia 5 quilômetros e marcava apenas 100 metros. Era meu carro me dando um pouco mais de tempo. Tempo que eu preciso e que agora eu aceito.

Isso tudo me serviu pra entender que eu não controlo nada, nem mesmo meu carro, que é um conjunto de metal, plástico e conduites eu consigo prever os atos. E todos os sentimentos são sim dele, mas são sentidos através de mim, de coisas que meu inconsciente me revela quando é hora. Por isso repito:

Nunca tive, nunca vou ter e adoro não ter controle sobre o meu carro.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Adveniat regnum tuum

Este blog quer formatar pensamentos, mostrando os adventos da vida moderna, entendendo-se por isso a tecnologia e o comportamento humano (mais o comportamento).

Explicar o motivo (diferente de entender) de termos tantas nuances de emoções e uma gama tão sensível de motivações, quando de fato só temos uma necessidade, viver.
Pois parece que quanto mais aumenta a velocidade das informações e os níveis de interação, mais nuances e mais motivações aparecem, e cá entre nós, quem nunca quis dar um google num livro, confessar o amor por msn ou ver fotos da viagem dos amigos antes mesmos de voltarem. Novos comportamentos para velhas vontades.

A tecnologia não traz nada diferente, apenas facilita nossa vida (tenho lá minhas dúvidas), altera nossa percepção e impacta no nosso comportamento; e é esse que pretendo explorar mais nos próximos posts. Os comportamentos que foram impactados na nossa vida moderna.

(O mundo é delimitado por lugares em que não se está, pelas coisas que não se viu e por tudo que se desconhece)